Documento Estratégico Confidencial

PSD-PR e a Sucessão Governamental 2026

Resumo Executivo

www.cubeinteligencia.com.br
Data 26 de Março de 2026
Classificação Confidencial
Destinatário Executiva Nacional e Estadual do PSD
Elaborado por Cube Inteligência Política
-
Dias
:
-
Horas
:
-
Min
até o prazo
04 de Abril
0
Prefeitos PSD
1º lugar absoluto
0
Vereadores
1º lugar no PR
0
Aprovação Ratinho
Maior do Brasil
0
"Merece Sucessor"
Quaest, ago/2025
A Tese Central

O PSD tem o governador mais popular da história do Paraná, a maior máquina municipal do estado, o adversário perdendo 90% dos prefeitos — e ainda assim não tem candidato. A janela para converter vantagem estrutural em vitória eleitoral fecha em 4 de abril. Depois disso, vantagem vira passivo.

O Momento

Nas últimas 72 horas, o tabuleiro sofreu mais alterações do que nos 6 meses anteriores:

EventoDataImpacto
Ratinho Jr. desiste da Presidência22/03100% dedicado à sucessão
Moro filia-se ao PL24/03PL herda candidato com 40-47% nas pesquisas estimuladas
Ratinho comunica a Guto que ele não será o candidato25/03PSD perde nome que já vinha construindo; rearticulação forçada
TSE homologa Federação PP-UB (União Progressista)26/03Maior bancada do Congresso — 109 deputados, 14 senadores, R$954 mi de fundo
48 dos 53 prefeitos do PL confirmam saída26/03Moro perde 90% da capilaridade municipal
Ratinho define 04/04 como prazo para anunciar nomeAnunciado9 dias para a decisão mais consequente do PSD no Paraná
O PSD Hoje

Os ativos

IndicadorValor
Prefeitos eleitos (2024)164 — 1º lugar absoluto (PL tinha 53, agora tem ~5)
Vereadores804 — 1º lugar
Deputados Estaduais11 — maior bancada
Aprovação Ratinho Jr.85% — governador mais bem avaliado do Brasil
Rejeição Ratinho Jr.7,8% — gap aprovação-rejeição de +63,6pp, sem precedente no PR
"Merece eleger sucessor"70% do eleitorado (Quaest, ago/2025)
Votação na reeleição (2022)69,64% — 4,2 mi de votos, 378 de 399 municípios (94,7%)

O ativo que ninguém mais tem

Ratinho Jr. desistiu da Presidência em 22/03 — o primeiro governador reeleito do PR a dedicar 100% do capital político à sucessão. Os três antecessores (Lerner, Requião, Richa) dividiram foco com o Senado e falharam. Ratinho replica o padrão dos que CONSEGUIRAM transferir:

GovernadorAprovaçãoDedicaçãoTransferência real
Rui Costa (BA, 2022)~80%100%+43pp (Jerônimo: 6% → 49,5%)
Azambuja (MS, 2022)~74%100%+47pp no 2ºT
Ratinho Jr. (PR, 2026)85%100%+18,3pp já medido — CUBE projeta +20-25pp

A fraqueza que define tudo

Em 25/03, Ratinho comunicou a Guto Silva que ele não será o candidato. O PSD — 164 prefeitos, 85% de aprovação — chega a 9 dias do prazo sem nome definido. Excesso de poder estrutural, déficit de candidatura.

A "Maldição" Que Não É Maldição

"Nenhum governador reeleito do Paraná jamais elegeu seu sucessor." Verdade. Mas a repetição mecânica esconde o que realmente aconteceu:

GovernadorAprovaçãoDedicaçãoEscândalosResultado
Lerner (2002)~15-25%Parcial5 CPIs, pedágiosSucessor em 3º lugar
Requião (2010)~50-60%Dividida (Senado)Desgaste 8 anosSucessor perdeu 1ºT
Richa (2018)~30-38%Dividida + presoAgressão aos professoresSucessor com 15,5%
Ratinho Jr. (2026)71,4%100%Nenhum???

A "maldição" é consequência de governadores desgastados, divididos ou presos. Ratinho é o primeiro com todos os indicadores positivos simultaneamente. A diferença não é marginal — é estrutural. Mas não garante nada se a execução for mediana.

O Adversário: Sérgio Moro

Os números

IndicadorDado
Estimulada (1ºT)40-47% (IRG + Paraná Pesquisas, mar/2026)
Espontânea7,4% — inflação de reconhecimento de ~33-40pp
Rejeição18,3%
Redes sociais8,2M seguidores (Instagram + X)
Prefeitos pós-debandada~5 de 53 originais
ChapaMoro gov + Edson Vasconcelos vice + Deltan Senado — "Chapa Lava Jato"

A leitura que o senso comum faz — e por que está errada

1. Inflação de reconhecimento. 7,4% no espontâneo, 40-47% no estimulado. 70% do eleitorado não sabe em quem votar. Moro é o nome que o eleitor lembra quando forçado a escolher — não necessariamente em quem votaria em outubro.

2. Regressão à média. 7 casos históricos de líderes 6+ meses antes da eleição: mediana de queda de -12,7pp. ACM Neto (BA, 2022): 56% em agosto → 40,8% no 1ºT. E enfrentava governador com 80%. Ratinho tem 85%.

3. Capilaridade zero. 48 dos 53 prefeitos saíram. O presidente regional (Giacobo, 24 anos) saiu. O PL no Paraná é um partido com candidato e sem máquina. Na história do PR, nenhum candidato sem máquina de prefeitos venceu eleição ao governo.

CUBE calibrada

⚠ Pesquisa bruta

40-47%

✅ CUBE calibrada (out/2026)

28-36%

Regressão à média, com ressalva de base ideológica forte

As vulnerabilidades ocultas

A "Chapa Lava Jato" consolida mas não amplia. Unifica núcleo duro de 25-30%. Para vencer, Moro precisa de 50%+1 — e sem prefeitos nem Centrão, os outros 20-25pp dependem inteiramente de performance midiática. Isso funciona em presidencial, não em estadual.

Moro é refém de Flávio Bolsonaro. A filiação ao PL não foi opção — foi necessidade após veto do PP. "O juiz que prendeu agora pede apoio à família do preso." Contradição narrativamente explosiva.

A dominância digital é ilusória. 8,2M de seguidores, mas a maioria é nacional, não paranaense. No voto estadual, presença municipal manda mais que alcance algorítmico. Prefeito que entrega obra vale mais que 100 mil likes.

Moro é candidato de polarização num estado que rejeita polarização. O Paraná é pragmático, conservador nos costumes mas não ideológico. Ao se posicionar no polo bolsonarista, Moro consolida 30-35% e cria um teto. O espaço do centro pragmático de resultados está aberto. O bloco antipolítica (~30% do eleitorado) que hoje gravita para Moro pode ser capturado por um candidato que ofereça resultado concreto sem ideologia.

O Funil: Aprovação Não É Voto
APROVAÇÃO GERAL85%
"MERECE ELEGER SUCESSOR"70%
VOTO GENÉRICO "CANDIDATO PSD"41%
VOTO REAL CANDIDATO PSD14-20%

Taxa de conversão: 16-23% da aprovação → voto efetivo. 48% dizem "depende do candidato" (Instituto Opinião). O eleitor paranaense vota em pessoa, não em selo. O apoio de Ratinho é condição necessária, não suficiente. Guto foi retirado por isso: 1,8% de espontâneo não sustenta a transferência.

Os Nomes na Mesa
NomePesquisaTeste de PalanquePerfilLeitura
Curi (PSD) 11-15% 38,2% votariam nele com Ratinho Dep. mais votado do PR, pres. ALEP Maior transferência potencial; articulação e base própria real
Pimentel (PSD) Não testado Prefeito de Curitiba, recém-eleito Narrativa de renovação; base restrita à capital; teria que renunciar relâmpago
Greca (MDB) 19,7% Ex-prefeito, agora MDB; rejeição 13,3% (menor) Mais competitivo nas pesquisas; como aliado é ativo (+4-6pp), como concorrente é catástrofe
Guto 14% 11% Ex-secretário Casa Civil Retirado do governo; cotado para vice ou Senado
Os Cenários: A Aritmética da Vitória

Cenário 1: PSD + Ratinho 100% (sem coalizão ampla)

Candidato PSD (base): ~14-20% + Efeito Ratinho 100% dedicado: +20-25pp → 34-45% REALISTA: ~34-39% ❌ PERDE PARA MORO

Cenário 2: PSD + Ratinho + Federação PP+UB

Candidato PSD (base ajustada): ~16-21% + Efeito Ratinho 100%: +20-25pp → 36-46% + Federação PP+UB (~72 prefeitos): +5-7pp → 41-53% + Convergência outros partidos: +3-5pp → 44-58% REALISTA: ~44-50% ✅ 2ºT FAVORITO

Cenário 3: PSD + Greca vice + Federação + Ratinho (coalizão máxima)

+ Greca vice + MDB (~30 prefeitos): +4-6pp → 48-64% REALISTA: ~48-54% ✅ VENCE 1ºT / 2ºT FAVORITO

Cenário 4: Campo fragmentado

PSD ~14-20% / Greca 19,7% / Moro 40-47% RESULTADO: ❌ MORO VENCE 1ºT COM FOLGA

O quadro para a mesa

Cenário 1Cenário 2Cenário 3Cenário 4
ComposiçãoPSD+Ratinho+UP+UP+GrecaFragmentado
Prefeitos~164~236~266dispersos
Realista34-39% ❌44-50% ✅48-54%Moro 1ºT ❌
Prob. vitória PSD30-35%55-60%65-70%<15%
35%
Cenário 1
57%
Cenário 2
67%
Cenário 3

Sem coalizão, Moro vence. Com coalizão máxima, PSD é favorito com 65-70%. Fragmentado, derrota certa.

A Federação PP+UB: A Peça Que Falta

O swing

ComponenteEfeito
Ganho direto ao campo governista (~72 prefeitos, ~650-750 vereadores)+5-7pp
Perda de Moro (UB não vai para seu campo)-2-3pp
Swing total7-10pp

Sem a Federação: Moro é favorito. Com a Federação: campo governista é favorito. A federação transforma disputa incerta em favoritismo.

PP-PR: o articulador, não o ideológico

Ciro Nogueira declarou que "não há terceira via" e se posiciona próximo a Flávio na presidencial. Quem conclui que o PP-PR pode migrar para Moro está cometendo o erro clássico: confundir discurso nacional com operação estadual.

O PP não é partido ideológico — é partido de articulação. Negocia, articula e se posiciona onde o poder é mais acessível. No Paraná, quem opera essa lógica é Ricardo Barros. A presidência estadual está com Maria Victoria (filha de Ricardo), o diretório vetou Moro por unanimidade em dez/2025, e o próprio Ciro chancelou: "A decisão de vocês é a minha decisão."

Os prefeitos do PP dependem de convênios e emendas do governo estadual — não de sinalizações de Brasília. A negociação com o PP é sobre termos (secretarias, articulação), não sobre convencimento. O PP já decidiu onde quer estar — falta o PSD formalizar as condições.

A Debandada do PL

48 de 53 prefeitos do PL confirmaram saída (90,6%). ~1.206.000 eleitores nas 48 cidades (14,3% do PR). O presidente regional (Giacobo, 24 anos no cargo) saiu. Moro ficou com ~5 prefeitos em municípios minúsculos. A única cidade grande do PL (Foz do Iguaçu, 204 mil eleitores) saiu.

O "prêmio do prefeito aliado" no PR, calibrado empiricamente (cruzamento TSE 2020/2022), está na faixa de 4-8pp para o efeito puro do prefeito. Em cenário disputado (3pp de diferença), ~56 mil votos de capilaridade municipal equivalem a 27% da diferença — volume que decide eleições.

O PSD precisa absorver esses prefeitos com velocidade. Prefeito sem partido é prefeito que negocia com quem oferece mais rápido.

O Ângulo Cego: A Análise Que Ninguém Está Fazendo

1. O eleitorado paranaense está órfão — e a orfandade tem mecanismo

70% não sabe em quem votar (espontâneo, mar/2026). Não é indecisão — é orfandade. Mas a orfandade não é aleatória. Ela tem mecanismo, e quem entende o mecanismo captura o voto.

O eleitorado brasileiro de 2026 opera por afeto negativo — não vota POR alguém, vota CONTRA o símbolo da sua frustração (framework Marcelo Nata, Central de Inteligência). O ciclo é: frustração pessoal → comparação social amplificada por redes → busca de culpado → depósito no voto.

O eleitorado paranaense se divide em três blocos (modelo Vitorino): voto ideológico (~35-40%) já definido, bloco antipolítica (~30%) mobilizável por outsiders, e bloco disputável (~30%) que responde a narrativa e empatia.

O candidato do PSD que abrir a campanha com "eu sei que você está cansado de promessa" em vez de "eu vou fazer mais obras" captura o único espaço narrativo que está vazio: continuidade do que funciona + validação de quem está frustrado com o que falta.

2. Moro é candidatura de tese, não de máquina — e tese tem prazo de validade

Toda candidatura viável combina narrativa + estrutura + recursos. Moro tem narrativa e recursos. Perdeu estrutura. Na história recente do PR, nenhum candidato sem máquina de prefeitos venceu eleição ao governo.

Moro opera pelo voto retrospectivo (Fiorina, 1981) — o eleitor avalia o que o governante fez nos últimos anos e decide se quer continuidade ou mudança. Ratinho com 85% de aprovação tem o voto retrospectivo a seu favor de forma esmagadora. Para Moro vencer, precisa convencer 50%+1 de que a mudança vale mais que a continuidade — contra o governador mais bem avaliado do país. Nenhum líder de pesquisas em março conseguiu isso quando enfrentou governador popular dedicado à sucessão.

3. O checkmate narrativo que o PSD ainda não percebeu

Existe um conceito em inteligência política chamado checkmate narrativo (Wilson Pedroso): posicionar-se de modo que qualquer ataque do adversário custe mais a ele do que a você.

O frame é simples: "Moro nunca administrou nada." Quando Moro atacar dizendo "continuísmo", a resposta não é defender — é reposicionar: "Continuidade de resultado é competência. Aventura é quem nunca gerenciou um orçamento querer governar o 5º maior estado."

A partir desse frame, cada ataque de Moro ao "sistema" reforça sua imagem de inexperiência executiva. E cada entrega de obra no governo Ratinho reforça o argumento de continuidade. O adversário ataca e se machuca — esse é o checkmate.

4. O timing é a arma mais subestimada

O campo de Moro está organizado há meses — chapa montada, narrativa pronta. O campo do PSD não tem nada disso. Cada semana sem nome é uma semana em que Moro consolida sem oposição. Candidaturas tardias só vencem com transferência massiva de capital político — que o PSD tem, mas precisa ativar.

"Em 2026, quem não estiver na mesa, estará no cardápio." — Wilson Pedroso

O Norte: O Que o PSD Precisa Resolver
1

O nome — até 04/04

O candidato deve ter reconhecimento básico, base própria mensurável e perfil de continuidade com renovação. Curi atende os três critérios com maior solidez (38,2% no teste de palanque). Pimentel traz renovação mas sem base estadual. Greca é o mais competitivo — como vice agrega +4-6pp; como concorrente, entrega a eleição a Moro.

2

A coalizão — PSD + MDB + Federação PP+UB

A única configuração que vence no 1º turno no cenário realista. Greca como vice transforma 44-50% em 48-54%. A Federação transforma disputa incerta em favoritismo. Os dois são necessários.

3

Os 48 prefeitos do PL

Contato direto Ratinho → prefeitos. Filiação formal dos maiores (Cascavel, Foz, Guarapuava, Araucária = 688 mil eleitores). Compromisso de contrapartida para fidelizar. Base municipal salta de 164 para ~200 prefeitos.

4

O espaço narrativo

"O Paraná que funciona não precisa de aventura. Precisa de continuidade com coragem para ir além."

Contra Moro: "Nunca administrou nada. Nunca entregou uma obra. O Paraná não é campo de testes." Com Ratinho: "O governador mais bem avaliado do Brasil escolheu pessoalmente quem vai dar continuidade." Pro-eleitor: "Você não precisa abrir mão do que funciona para ter algo novo."

O Horizonte: Esta Eleição Define Uma Década

✅ Se o PSD vence

  • • Ratinho livre para articular candidatura nacional
  • • PSD consolida 180-200 prefeitos até 2028
  • • PSD-PR como modelo nacional e kingmaker do Sul

❌ Se o PSD perde

  • • Moro governa sem máquina mas com o cargo
  • • Pragmatismo inverso: prefeitos PSD migram para PL
  • Ciclo Ratinho se encerra como episódio, não como projeto

Não define apenas quem governa até 2030. Define se o PSD se consolida como partido dominante do Sul — ou se o ciclo Ratinho termina aqui.

Consideração Final

A matemática está dada. Os cenários estão mapeados. O ativo de transferência (Ratinho 100%) é o mais poderoso do estado. A coalizão máxima tem 65-70% de probabilidade de vitória.

O PP sabe disso. O MDB sabe disso. Moro sabe disso.

A frase para a mesa

"O PSD não precisa do melhor candidato do Paraná. Precisa de um candidato BOM o suficiente para carregar a maior transferência de capital político da história do estado. E precisa dele até 4 de abril."

A citação

"Em política, quem fala demais gasta capital. Quem fala pouco, mantém valor. Mas quem não fala nada, some do mapa."

Fontes

Pesquisas: Paraná Pesquisas (mar/2026, PR-06254/2026), IRG (13-18/mar/2026), Neokemp (18-20/mar/2026), Quaest (fev e ago/2025), Real Time Big Data (fev-mar/2026, TSE BR-09353/2026).

Dados eleitorais: TSE (resultados 2022, 2024), AMP/Gazeta do Povo (prefeitos por partido), cruzamento empírico TSE 2020x2022 (prêmio do prefeito aliado: faixa calibrada +4-8pp).

Jornalísticas: Gazeta do Povo, RIC, Maringá Post, CartaCapital, CNN Brasil, Impacto PR.

Base analítica: Central de Inteligência em Marketing Político (CUBE), calibragem com 7 casos históricos + CEBRAP, HISTORICO-SUCESSAO-GOVERNADORES-PARANA.md (87 dados verificados, 92% confirmados).